Manaus no iGEM

A história do Brasil do iGEM começou em 2009 com a Unicamp, que também nos representou em 2011. Ano passado foi a vez do nosso time, da USP em parceria com a Unesp. Neste ano, ficamos muito felizes de saber que teremos mais times brasileiros na competição. Até o momento estão inscritos 3 times que representarão nosso país na competição!! E um deles é o time Manaus_Amazonas-Brazil.

Neste post vamos contar um pouco sobre o time do Amazonas e seu projeto. Diferentemente do time da USP, cuja iniciativa começou por parte dos estudantes, o time de Manaus começou por iniciativa do professor Carlos Nunes. Ano passado nosso time teve o prazer de conhecer o professor Carlos que acompanhou a competição para este ano montar um time na sua universidade.

Segue abaixo um pouco do time e de seu projeto, contado pelos próprios alunos integrantes:

Como tudo começou

No final do ano de 2012, graças ao incentivo do professor Carlos Nunes, começamos a nos interessar pelo iGEM e a nos reunir. No início, muitos não tinham ideia de como fazer funcionar a dinâmica do grupo, muito menos como formar um, além de qual projeto iríamos propor.

Após pesquisar e estudar os projetos das equipes anteriores e ter uma melhor noção sobre a competição, começamos a colocar nossa criatividade para funcionar e elaborar ideias/projetos bem distintos. Não foram poucas as inspirações e chegamos a algumas propostas: a bactéria armadilha para o HIV (“Colitrap”), a detectora de Incêndio (“Firebacter”), a jogadora de Pacman (“Pac-Coli”), a indicadora de temperatura (“TermoColi”), a espartana (“MagnetoColi”) e a escolhida, bactéria produtora de energia elétrica (“Electrobacter”).

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O projeto

manausfig1O foco principal da Electrobacter é degradar gorduras de óleos de fritura residuais amplamente utilizados e descartados por redes de restaurantes para a geração de energia elétrica, pois os mesmos, quando são descartados inadequadamente, apresentam-se como um agente poluidor ao ambiente e o tratamento para eliminar esses poluentes requer o uso de produtos químicos tóxicos, além de o processo ser oneroso e pouco efetivo.
Apesar de já existirem alternativas para o aproveitamento dos óleos de fritura como a produção de sabão, o direcionamento de gorduras para geração de energia trará uma nova opção de bioenergia por meio da biorremediação.

A bactéria Shewanella amazonensis que pretendemos utilizar é capaz de fazer o transporte de elétrons dispostos no meio, gerando eletricidade. A proposta é melhorá-la geneticamente para degradar estes óleos através da β-oxidação (reação bioquímica de quebra de gorduras), potencializando a produção de elétrons.  O gênero Shewanella é um grupo de bactérias que foram descobertas recentemente e os estudos sobre ela ainda são escassos, principalmente na área da biologia molecular, porém seu potencial não só pela possibilidade de geração de energia, quanto pela sua habilidade de captar metais dispostos no meio.  Entre as possibilidades de como modifica-la, optamos por dois caminhos: modificar o repressor ou o promotor dessa via metabólica. Tanto de uma forma quanto da outra, a β-oxidação será possível mesmo com a presença mínima de glicose no meio, porém os efeitos dessa intervenção genética deverão ser estudados de perto para que não tenhamos que sempre deixá-la em condições de estresse.

Com esse o projeto de caráter ambiental e ecológico, estamos empolgados, determinados a participar do iGEM e ser o primeiro time a representar o estado do Amazonas.

 

As dificuldades

Infelizmente, não só de determinação e força de vontade vive um time do iGEM. Uma das principais dificuldades é pagar a inscrição do time na competição que custa em torno de 3 mil dólares, que paga não somente a inscrição como o envio das partes biologicas necessárias ao projeto e custos do evento. A universidade, bem como agências de fomento de pesquisa, não tem programas de apoio para uma competição como o iGEM. Ano passado, contamos com a colaboração de mais de 40 pessoas do mundo todo que nos apoiaram através do chamado crowdfunding.

Se você ficou triste pois perdeu a oportunidade de apoiar um time brasileiro a fazer ciência de uma forma inovadora e divertida, o time de Manaus está precisando de apoio e você pode colaborar por aqui.

 

Para saber mais sobre o grupo:

Veja o video do grupo

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